23 de fevereiro | 2014

Prefeito confirma que Daemo só perfurou poços em seu governo

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Ao ser interpelado sobre um eventual racionamento no fornecimento de água em Olímpia em razão da falta de chuvas, o prefeito Eugênio José Zuliani confirmou que a Superintendência de Água, Esgoto e Meio Ambiente – Daemo Ambiental, sucessora do Departamento de Água e Esgoto do Município de Olímpia (DAE­MO), não realizou outra coisa a não ser a perfuração de poços durante o seu governo iniciado em janeiro de 2009.

“Não foi feito nada a não ser furar poços”, afirmou durante uma entrevista que concedeu à rádio Espaço Livre AM, na parte que foi levada ao ar na quarta-feira, dia 19.

Além disso, deixou dúvidas sobre a situação dos poços hoje existentes na cidade, principalmente em relação à possibilidade de estarem ou não já sucateados e perdendo a capacidade de produção de água: “Hoje, poços para buscar água precisam ter mais de 250 metros de profundidade porque o lençol (freático) está diminuindo. Está cada vez mais difícil buscar água subterrânea”.

A esse entendimento se pode chegar por causa da informação do diretor da Daemo Ambiental, Alaor Tosto do Amaral, dando conta de que os poços locais têm cerca de 250 metros de profun­dida. Dessa forma estariam praticamente sucateados e deixando a cidade à mercê de um racionamento na distribuição de água.

Talvez por isso, e rezando pa­ra chover e muito, o prefeito a­dmite que há grandes possibilidades da cidade enfrentar uma pane no abastecimento de água da cidade: “Podemos. Acho que a gente tem que assumir isso e a palavra podemos não significa nem que sim e nem que não, mas que tem um risco”.

Zuliani confirma que seu governo não realizou nada em relação a melhorar as condições do abastecimento de água na cidade. Ele mesmo afirma que o último prefeito a tentar agir nesse sentido foi José Carlos Moreira que deu início à construção do sistema de captação do rio Cachoeirinha.

“Se tivermos uma estiagem de 30, 40 ou 50 dias, dentro do período de alta temporada do turismo, nós podemos ter problemas”, observou demonstrando preocupação com a chegada de 30 mil visitantes, por exemplo, que se somam à população residente que já supera 50 mil moradores.

Por outro lado, o prefeito a­fir­ma que não contava com os problemas que atingiram a conclusão da ETA (Estação de Tratamento de Água) do Jardim Lu­iza, na zona leste da cidade, e o próprio sistema de captação do rio Ca­cho­eirinha.

No entanto, informou que a Daemo está perfurando cinco poços pequenos, embora alguns ao lado de outros apenas para conseguir abastecer o reservatório: “Na própria ETA que recebe a água do córrego Olhos D’água foi furado um poço anexo que está jogando dentro da estação. A gente está fazendo de tudo para não faltar água”.

QUEDA DO VOLUME DE ÁGUA

Como se recorda, embora negando a possibilidade de uma pa­ne e consequente racionamento no fornecimento, recentemente o diretor da Daemo Ambiental afirmou que a falta de chuvas no município já provocou uma redução de até 50% da vazão dos poços que fornecem água para pelo menos 70% da cidade.

De acordo com ele, atualmente a vazão desses poços está variando de entre 10 e 20 metros cúbicos por hora. “Estão quase todos pela metade da vazão”, enfatizou à é­poca.

De acordo com ele, há um poço no setor do Jardim Cecap, na zo­na leste, que já não tinha mais condições de fornecer água: “Inclusive no final de dezembro secou um poço nosso”.

Também segundo Tosto, a Dae­mo produz cerca de 250 metros cúbicos com os 55 poços. Mas com a redução de 50% anunciada pelo superintendente, a produção teria reduzido para aproximadamente 125 metros cúbicos por ho­ra.

Já a captação do córrego Olhos D’água produz de 200 a 250 me­tros cúbicos por hora. Descon­siderando a quebra da vazão dos poços, esses números indicariam o total de 450 a 500 me­tros cúbicos por hora.

Por outro lado, na cidade há 300 poços particulares, todos tam­bém retirando água de um lençol freático localizado a a­pro­ximadamente 250 metros de profundidade.

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