17 de junho | 2007

Consumo de vinhos chega a dobrar por causa do inverno

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Mesmo os mais apaixonados por saborear uma cerveja bem gelada, daquelas que, com certeza, recebem tratamento vip nos principais bares e restaurantes da cidade, não resistem à sedução de saborear um bom vinho durante o período de inverno. Muitos até não conseguem se segurar e dão seguimento a este impulso a qualquer sinal de climas mais amenos que já sinalizam para o tempo mais frio. Isso tudo, garantem os comerciantes do setor, faz até dobrar o consumo da bebida.

Além das várias qualidades e marcas, sejam nacionais ou importadas, à disposição dos consumidores, há também vários preços a serem sempre verificados pelo degustador mais atento. Os valores praticados variam, segundo foi apurado, entre R$ 12 e até R$ 180 a garrafa. Até a forma como é servido tem relação com o preço cobrado. Afora uma garrafa, a pessoa pode fazer opção por uma taça ou mesmo uma jarra, isto com valores que variam entre três e sete reais.

Para alguns, seja um tinto seco ou mesmo um branco suave, é até uma questão de charme saborear um bom vinho nesta época do ano e, embora oficialmente o inverno comece apenas na madrugada da quinta-feira (21), o aquecimento da venda de vinhos já fez até esgotar alguns estoques na cidade de Olímpia.

Este é o caso, por exemplo, da Pizzaria Viareggio, onde o proprietário José Roberto César Júnior, mesmo não classificando como uma surpresa, confidenciou para a reportagem desta Folha que até já acabou seu estoque de vinhos. "Com o frio a procura é maior e ele (vinho) passa a ser uma bebida com mais sucesso do que refrigerantes e do que uma cerveja até", avaliou.

Os vinhos nacionais, conta, são os mais procurados e, no caso dele, geralmente vende mais o vinho da casa que, por ser mais suave, ganha a preferência da maioria. "Agora, o tomador de vinho prefere o tinto seco, de maior gabarito e expressão", explica.

Na Recanto 97 Pizzaria, o proprietário Marcos Ferreira conta que as vendas aquecem ainda mais com a chegada definitiva do inverno. Aumenta a procura de vinhos no inverno e os mais procurados são tintos", comenta, destacando que trabalha há quatro anos com um vinho de Flores da Cunha, Rio Grande do Sul, que se chama Halbert bordo.

No Dat Badan, o proprietário José Roberto Silva, que informa trabalhar com uma gama bastante variada de vinhos, seja nacionais ou importados, embora ressalte que sirva vinhos a seus clientes durante todo o ano, neste período vê dobrar a procura pelos produtos.

Silva destaca o italiano Bolla Valpolicella como campeão de vendas e ainda o português Periquita, como os mais degustados pelos homens: "as mulheres querem muito vinho suave predominando os frisantes".

Especialista

O italiano nato Amadeu Scavello, proprietário da pizzaria Carpe Diem, que pode ser considerado um especialista em vinhos, também destacou que muitas pessoas tomam vinhos o ano inteiro, mas ressaltou que com o frio a procura aumenta mais, chegando a aquecer suas vendas em até 80%. "Hoje nós temos um mercado nacional que produz vinhos muito bons, inclusive a região do sul, que são até premiados em eventos internacionais", comentou.

Segundo ele, o gosto popular do brasileiro induz tomar vinhos um pouco mais suaves, mas ressalva que os melhores são os vinhos secos: "tem até um bom percentual de vinhos importados que, agora com a baixa do dólar ficam mais acessíveis e com R$ 30 dá para tomar um bom vinho argentino, chileno e até europeu".

Amadeo lembra que quando se fala em vinhos de ótima qualidade tem que se considerar um preço mínimo de R$ 12, que pode chegar até a R$ 25 uma garrafa. Já no caso dos importados, enquanto um mais barato custa R$ 30, o mais cara chega a R$ 180.

Ele acrescentou ainda que há pessoas que apreciam determinados tipos de vinhos, com determinado tipo de comida: "qualquer vinho não pode ser tomado com qualquer tipo de comida, cada vinho é específico e mais a comida e a estação (do ano)", ensina.

Ele considera que o vinho é ainda pouco consumido no Brasil e por isso é um mercado que tem muito campo ainda para crescer. "O Rio Grande do Sul está produzindo vinhos muito bons. Nós teremos um futuro bem próspero, tanto no Brasil quanto no exterior, o vinho brasileiro já está sendo comercializado em toda a América do Sul, inclusive na Europa", finalizou.

 

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