01 de maio | 2016

Conjunto da Obra

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Mais do Mesmo

– Nas últimas semanas foi recorrente em algumas colunas nos jornais (duas ou três) a citação de uma frase da obra de Tomasi di Lampedusa (do romance “Il Gattopardo”) –  algumas coisas precisam mudar para continuar as mesmas”.

– No filme do mesmo nome (“O Leopardo”, em português), a frase é dita pelo príncipe Fabrizio de Salinas (Burt Lancaster, no filme). Na verdade, quem disse “algo parecido” foi o sobrinho de Salinas, Tancredi (vivido na tela por Alain Delon), “um jovem oportunista e sedutor”. Além de Lancaster e Delon, há a presença do talento e da extraordinária beleza de Cláudia Cardinalle. Um filmaço!

– Segundo Elio Gaspari (“A república das bananas”, Folha de S. Paulo, 24 de abril de 2016), Salinas (um reacionário fatalista) disse que “tudo isso não deveria poder durar, mais vai durar”. A oligarquia, continua Gaspari, brasileira pensa como Salinas, fala como Trancredi e faz qualquer papel para que nada mude. É preciso, digo eu, manter a qualquer custo o “status quo”. A oligarquia não admite mudanças que possam beneficiar as “classes dominadas”, a “patuleia”, como diria alguém, ou a plebe rude e ignara, como diriam outros do andar de cima.

Lava Jato

– As delações da Lava Jato fizeram com que as autoridades brasileiras repatriassem, no ano passado, quase US$ 125 milhões – um recorde na repatriação de dinheiro desviado do país.

– A Petrobras, arrasada pelos desvios (roubos!) descobertos pelos investigadores, é o principal destino dos recursos repatriados – valores desviados (roubados!) dos cofres públicos (do povo!) e recuperados pelo Brasil.

– Com novos acordos de delação premiada sendo assinados, o montante deverá aumentar consideravelmente. Belo trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

– São US$ 124,9 milhões recuperados (em 2015), US$ 94,6 milhões voltaram ao país pelo trabalho da Lava Jato. A dinheirama saiu da Suíça.

Retrato Falado

– A veja (27/4/2016) traz na capa e em reportagem de seis páginas um retrato um tanto quanto sinistro do sr. Eduardo Cunha.

– Dilma define-o como traidor, vingativo e chantagista. Ultimamente tem qualificado o homem como corrupto.

– Rodrigo Janot não deixa por menos. Para Janot, Cunha é “extremamente agressivo” e dado a retaliações.

– Segundo a Veja, não param de surgir depoimentos em que Cunha é apontado como um sujeito agressivo, capaz de inspirar medo em seus adversários.

– Na votação do impea­chment foi chamado de “gângster” e “ladrão”. Recebeu, ainda, alguns adjetivos nada elogiosos.

– Cunha, segundo a revista, é denunciado por empresários por extorsão. É acusado de embolsar propinas milionárias do pe­trolão, de ser correntista oculto de brancos suíços e de mentir aos colegas – o que configura (claramente) quebra de decoro parlamentar.

– O homem é réu no Supremo Tribunal Federal (STF): denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso de uma propina de US$ 5 milhões relacionada a contratos de aluguel de navios-sonda. É investigado pela PGR (Procuradoria Geral da República): contas secretas (ocultas) na Suíça e recebimento de 52 milhões de reais (propina na obra de Porto Maravilha). É citado por sete delatores na Lava Jato. Pano rapidinho, senhoras e senhores. Em tempo: E pensar que esse “ilustre” senhor pode vir a governar o país!!!

Literatura é Vida

– Faz quatro séculos que William Shakespeare (inglês) e Miguel de Cervantes Saavedra (espanhol) morreram. E ainda hoje ressoam ecos de suas vozes, transformados em palavras em obras-primas imortais.

– O bardo inglês e o grande escritor espanhol “revolucionaram o modo como o homem moderno vê a realidade e (sobretudo) como vê a si próprio”.

– Jerônimo Teixeira chama Shakespeare de “um explorador da alma”.

– James Shapiro, professor da Universidade Columbia, dedicou sua vida acadêmica a estudar a obra do mestre inglês. Shapiro diz que só se entende Shakespeare pela representação.

– A grande obra de Cervantes, “Dom Quixote”, entre outros temas, traz à luz o conflito entre o ideal e o real, entre a realidade e a “irrealidade”, ou seja, o sonho.

– Harold Bloom, crítico americano, diz que “Dom Quixote” é um espelho posto não diante da natureza, mas do leitor.

– Para William Egginton, também crítico americano, Cervantes inventou a ficção moderna. Egginton é professor de literatura espanhola e latino-americana da uni­versidade Johns Hopkins Diz ainda (“professa uma tese ousada”) que antes de Miguel de Cer­vantes não existia ficção (corajosa a tese do professor!). Foi o espanhol, segundo Egginton, que criou a nova maneira de investigar a subjetividade que modernamente entendemos como tal.

Voto Consciente

– Vêm aí as eleições municipais. Todos esperamos que os candidatos a prefeito façam campanhas limpas, transparentes e que se respeitem um ao outro. De baixaria (baixa política) estamos todos saturados. A população já não aceita falatórios, bate-bocas e  agressões. Que a disputa seja em nível das ideias e não das pessoas (da vida pessoal dos candidatos). Quem se portar dignamente, apresentar propostas que possam ser viáveis, que não sejam os tais projetos faraônicos – que nunca saem do papel –, quem for verdadeiro e honesto poderá sair vencedor. Abaixo a baixa política, a politicagem e os politiqueiros (falsos políticos) de plantão e os oportunistas de carteirinha. E estamos conversados.

No Mato Sem Cachorro

– Já atentaram, senhoras e senhores, para a linha natural e legal da sucessão da presidenta Dilma, caso ela seja vencida pelo impeachiment? Não?

– Pois comecem a pensar (e refletir a respeito) urgentemente: Temer, Cunha, Calheiros… Meu Deus!!!

– E lá nas terras de Tio Sam, o sr. Donald Trump… Meu Deus!!!

Cumpadres

Bom dia, senhoras e senhores.

Cortina

O tucanato vai apoiar um possível governo Temer. Mas quer cargos. É “o toma lá dá cá”. Dizem que José Serra  deverá ser agraciado com o Ministério da Educação. O senador do PSDB, desta vez, não quer nem pensar no Ministério da Saúde…

O mais entusiasmado com um cargo no futuro (?) governo Temer é o tucano mineiro Aécio Neves. Anda rindo de orelha a orelha…

Cortina 2

O juiz Sérgio Moro é, hoje, o homem mais admirado pelos brasileiros. Sóbrio, elegante, sereno e extremamente corajoso. Um brasileiro da “República de Curitiba” que orgulha toda uma nação. Salve o juiz!!!

Cortina 3

Brilhante o sr. José Eduardo Cardoso, advogado – geral da União, na defesa da presidenta Dilma perante os senhores senadores da República. Deu uma aula (Magna!) de oratória, saber jurídico, serenidade e equilíbrio emocional. Além do bom humor.

Ivo de Souza é professor universitário, poeta, co­lu­nista, pin­tor e membro da Real Academia de Letras de Porto Alegre.

 

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