28 de fevereiro | 2016

A corrupção desenfreada

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Rapidinhas

– Umberto Eco “foi morar no infinito e virar constelação”. O homem de “O Nome da Rosa” (seu maior sucesso) disse em recente entrevista a Ilze Scamparini que seu livro favorito era “O Pêndulo de Foucault”. Caso tivesse, um dia de jogar fora todas as suas obras, só ficaria com “O Pêndulo”.

– Marcelo Coelho (colu­nista da Folha) sobre o livro de ficção que fez Eco conhecido no mundo inteiro afirma: “…investiu num tipo de literatura que, bem ao gosto da moda intelectual de 1980, joga em dois campos simultaneamente. É um romance de entretenimento, mas ao mesmo tempo cheio de piscadinhas de olhos para o leitor mais erudito”.

– E falou mais: Segundo Coelho, “O nome da Rosa” é um produto híbrido, uma ilusão de ótica, que muda de aparência conforme visto de longe ou de perto. E eu pergunto: Não seria essa ca­racterística um fator positivo da obra de Eco, sr. Coelho?

– Resumo da ópera: Eco, na verdade, quebrou para­digmas. Num momento em que os intelectuais (erudi­tís­simos!) não suportavam a cultura de massa (“seria baixa cultura”), Eco escreveu tranquilamente sobre gibis e a chamada literatura de entretenimento (era considerada uma literatura menor).

– Umberto Eco foi escritor, professor, ensaísta, filósofo (“muito erudito e com faro midiático”)… Era amigo do Brasil e de intelectuais brasileiros (considerava Haroldo de Campos um grande tradutor).

– Disse que poderia escrever o que quisesse depois de seu livro mais conhecido e mais vendido. Todos se lembravam mesmo de “O Nome da Rosa”, que, inclusive, virou filme de sucesso. E citava Gabriel Garcia Marques, que será eternamente lembrado por “Cem Anos de Solidão”. O grande sucesso de um primeiro livro não era bem visto por Eco. Acabava eclipsando tudo mais que se fizesse depois.

Outras Notas

– O governo do tucano Geraldo Alckmin vem aí com mais 25 pedágios (no litoral e no interior, senhoras e senhores). Não escapa ninguém. Estão previstos para o próximo verão – que é uma boa hora para se ganhar um bom dinheirinho das pessoas em férias.

– O homem foi o mais ferino crítico do governo Lula. Agora Arthur Virgílio, prefeito de Manaus, é um dos que pregam o diálogo com o governo Dilma Rous­seff para resgatar a nos­sa combalida economia. Teve até um encontro com o petista Ricardo Berzoini. Nada como um dia após o outro, não é mesmo, seu Virgílio?

– Pesquisa (interna) garante a vitória de Andrea Matarazzo na corrida ao trono do prefeito Fernando Haddad. Teria 47% dos votos válidos dos filiados; Do­ria Jr., 32% e Ricardo Trípoli, 21%, que entrou atrasado no disputa. Mesmo assim, conseguiu crescer na pesquisa. Tinha, em novem­bro, 6% dos votos válidos.

– Brasil e México cada vez mais próximos. Negociações para um novo acordo comercial avançam satisfatoriamente. O governo de d. Dilma Rousseff (ani­ma­díssimo!) acredita que poderá eliminar impostos de até 6 mil produtos – hoje são 800 produtos, conforme acordo em vigor.

Certas Notas

– Um fenômeno! “O Pequeno Príncipe”, após 73 anos de sua publicação, continua vendendo milhões de exemplares todo ano.

– Oliver d’ Agay, sobrinho-neto de Saint-Exupéry, resume o sucesso do livro em poucas (e exatas) palavras: “Essa longevidade se deve ao fato de ser uma obra moderna, atemporal e profundamente humanista. É ainda a chave para a compreensão de temas essenciais, como o amor, a vida a morte, as relações humanas, a natureza”.

– Por tudo isso é um livro que está sempre na lista dos mais vendidos (“pertence à categoria dos best-sellers perenes”). Encanta crianças de 8 a 80 anos.

– Aviador, Antoine Saint-Exupéry morreu em 1944. Seu avião foi abatido por um caça alemão, numa missão de reconhecimento na França ocupada. Só em 2004, os destroços do avião foram encontrados.

– Evo Morales perdeu. O plebiscito realizado no dia 21/4/2016 disse não ao presidente boliviano. Não! Ele não poderá disputar um quarto mandato em 2019. Evo está há 10 anos no cargo. Chegou a hora de sair, sr. Evo. Foi seu povo que assim decidiu.

– Dia 23 de junho. É a data do referendo sobre se o Reino Unido permanece ou não na UE (União Européia). David Cameron, premiê britânico, é favorável à permanência do país na UE.

Qualquer Nota

– Em entrevista coletiva, o engomadinho Cristiano Ronaldo (um baita de um craque!) deu umas alfinetadas nos melhores atacantes do futebol mundial. “Cutucou” Neymar, Messi e Suárez por serem amigos dentro e fora do gramado. Inveja pouca é bobagem.

– Neymar, Messi e Suárez, segundo Tostão, talvez formem o melhor trio ofensivo da história. Talvez.

– E o futebol brasileiro caminha a passos largos rumo à decadência, assim como os clubes. Que futebolzinho ruim andam jogando os nossos times. Os craques brasileiros estão todos fora do país. São Paulo, Palmeiras, vamos jogar bola!!! Os chineses vem aí.

– Juca Kfouri, Folha, em sua coluna entende a decadência do futebol tupiniquim: “Não chegamos a tamanho pântano por acaso, nós (‘eles’) esforçamos durante anos para chegar ao fundo do poço, com Teixeiras, Marins, Neros e Nunes e modelos de gestão, nos clubes, da primeira metade do século passado”. Falou e disse, seu Juca, que fala, ainda, que continuamos dormindo em berço esplêndido (ao contrário da China e os EUA, que despertam cada vez mais para o esporte bretão) e em meio à corrupção desenfreada. Pano rapidinho!!!

Cumpadres

Bom dia, meus amigos. Vocês são a razão dessas mal-traçadas linhas. Bom-dia!

Cortina

Lava Jato, Zelotes, Acarajé, Samarco, Eduardo Cunha, Empreiteiras, Corrupção Desenfreada (e, parece-me, sem fim), tudo isso passa a imagem (principalmente para o estrangeiro) de um país de políticos sem caráter, desonestos e aproveitadores do erário, do dinheiro do sofrido povo brasileiro que cumpre, a duras penas, seus compromissos (tributos e mais tributos) com o governo. Pano rapidinho. O conceito de bom pagador, lá fora, já foi pro espaço, com o rebaixamento de nossa credibilidade político-financeira pelas agências de risco. Lamentável, minhas senhoras e meus senhores. Uma vergonha nacional!

Em tempo: Fomos rebaixados mais uma vez!

Ivo de Souza é professor universitário, poeta, colunista, pintor e membro da Real Academia de Letras

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