07 de julho | 2024
Os 15 dias que duraram quase um século
Muito dengo, caldo de galinha e a sopinha da Dona Sofia.
José Antônio Arantes
Realmente, mas realmente mesmo, este jornalista viveu os últimos quinze dias de sua vida de uma forma nunca experimentada antes e jamais esperada, principalmente em tempos de tentativa de provação aplicada em si mesmo do chamado amor incondicional.
Embora já tenha passado pela temida Covid-19, outras tantas gripes e sabe-se lá quantos momentos de estremecimento de seu sistema cognitivo e até do inconsciente do super-homem, desta vez, a situação foi surreal.
Não sobrou nenhum dos seres que pulsam dentro de mim. Nem eu mesmo, o pobre Nhô Zé. Foram momentos de extremismo entre o ser e o não ser. Entre o homem e o animal. Entre razão e loucura. Entre consciência e “pulsão”.
Era como se o cérebro estivesse derretendo. Sendo assado na churrasqueira. Sem contar o mal-estar constante, as dores nas juntas, os inchaços das mãos, as manchas vermelhas, o sono e, ao final, o coça aqui, coça ali, não tem onde não coçar. Só quem viveu para confirmar.
Foi a “Roda Viva” de Chico Buarque sendo transformada em realidade durante longos e lentos, duros de passar, 15 dias.
Como lição maior, fica a falta de vontade e de potência. Como se a vida fosse apenas ver o tempo passar, um acordar e dormir, aguardando que tudo retornasse ao lugar.
Repentes de estresse. Descontrole de vida. Meio mês de tortura provocada por um mosquito infectado que pode levar à morte ou destruir a vida; já se fala em dezenas de sequelas no dia a dia.
Minha sorte é que a medicação veio completa e muito forte. Paracetamol, Dipirona e muito dengo … das minhas meninas …
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