11 de setembro | 2022

Olímpia e a guerra do fim do mundo

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“É Olímpia voltando aos tempos que pessoas bem intencionadas seguiam o rastro das estradas boiadeiras sem sequer olhar o poeirão que levantava atrás de si e nunca mais voltavam, “nem prum golinho de café na beira de um fogão de lenha”.

 

Do Conselho Editorial

Olímpia, no tempo dos desbravadores, quando tudo era mato e apenas uma cruz de madeira às margens do Ribeirão dos Olhos Dágua, anunciava que habitava estas terras, além das onças, sucuris, capivaras, ipês, amarelos e roxos, um ou outro destemido cristão (ã).Era a última cidade do Estado.

Por um bom tempo era hábito entre os moradores tratá-la como um fim de mundo, em razão da distância dos grandes centros.

Até que uma estrada de terra daqui, outra dali, um Ford Bigode tocado a manivela e a ferrovia foram diminuindo as distâncias, aumentando a população e o tão desejado progresso foi se instalando neste pedaço de chão.

Nem tudo foram flores de Flamboiant.Vicejavam urtigas por aqui, tanto no mato hostil quanto nas hostilidades comuns a vida em sociedade.

Tanto vicejavam que é por demais conhecida a história do benemérito da cidade, Coronel GeremiaLunardelli, que tanto fez pela sociedade local que seguiu o rastro das estradas boiadeiras sem sequer olhar o poeirão que levantava atrás de si e nunca mais voltou, “nem prum golinho de café na beira de um fogão de lenha”.

Deixou saudades e obras, mas a mágoa profunda e os desencantos pediam distâncias para cicatrizar.

Aníbal Vieira trocava tiros com desafetos e ornamentava capa de jornais de grande circulação na capital.

Trazia na sua matula além de punhal, revólver e bala, uma tragédia familiar que, anos depois da vingança e do que se chamava legítima defesa da honra, continuou a matar de aluguel, prazer e ódio à vida que produzia gente tão má e cruel como ele veio se tornar.

Esta Olímpia de todos os estranhamentos, de todos os rancores, está rediviva, restaurada, renovada, voltando àmorte do respeito a outrem, do sepultamento de reputações.

Os espetáculos patrocinados nas sessões da Câmara Municipal nas últimas sessões, em que pese aquele espaço legislativo já ter sido palco de muitas baixarias, tem horrorizado quem assiste às sessões de forma presencial ou virtual.

As últimas denúncias, sem entrar no mérito, pois cabe a quem acusa o ônus das provas e a quem sofre a denúncia o dever de se defender e a justiça a missão de julgar diante dos elementos probatórios quem está com a verdade.

Como este processo costuma ser lento, demorado, os contendores, como se amarrassem um à cintura do outro, com longas línguas afiadas, vão esfaqueando a moral um do outro até que ambas, ou uma só sobreviva a esta luta ditada pela estupidez e falta de escrúpulos.

E se desta maneira se escreve é para deixar muito claro que tudo que na discussão se refere a questões de foro íntimo, que não trouxeram prejuízo ao erário, quando questionada da tribuna da Câmara, é espetáculo deprimente, vulgar e canalha.

O homem público, como a informação já fornece a pista, tem por dever e obrigação discutir o que se refere à coisa pública; quando desborda para o pessoal demonstra desequilíbrio, insensatez ou loucura.

Não é este jornal e muito menos este editorial o lugar para se julgar o certo ou o errado, pois senão estaria o periódico a cometer o mesmo erro infantil e sem lógica de nivelar o debate por baixo para imprimir uma razão através da ausência de razão ou da demência.

Porém, o olhar que se tem é de que algo nestas discussões levadas na Câmara Municipal tem tomado muito mais características de guerra pessoal, que discussão em prol do bem estar da população.

É Olímpia voltando aos tempos que pessoas bem intencionadas seguiam o rastro das estradas boiadeiras sem sequer olhar o poeirão que levantava atrás de si e nunca mais voltavam, “nem prum golinho de café na beira de um fogão de lenha”.

E outras trocavam tiros com desafetos e ornamentavam capas de jornais de grande circulação da capital.

Era Olímpia que ainda parece fomentar a guerra do fim do mundo.

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