10 de julho | 2024

#umdiasemreclamar – Quantas vezes você reclamou de algo hoje?

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A Terceira Margem da Folha

Quando era apenas uma criança, durante uma aula de redação particular, Thiago Arantes segurou uma página em branco e fez uma promessa a si mesmo enquanto todos os colegas reclamavam das tarefas de Língua Portuguesa: “não sei o que farei no futuro, mas serei escritor!”. Há quatro anos, ele se lembrou da cena adormecida na memória e voltou a encontrar na literatura e na escrita uma salvação pessoal diária. Assim deu vida ao livro de contos fantásticos “A Terceira Margem da Folha”. O mineiro divide o tempo entre escrever, lecionar e advogar. Mas o que sempre buscou para o dia a dia é o oposto da lógica acelerada que o mundo impõe hoje. Inspirado pela criação de infância voltada para o lúdico e para a espiritualidade, ele ainda acredita que a realidade tem um quê de magia. “Quantas vezes nos surpreendemos com a existência? Quero estar no limbo entre as leis da física e os super-heróis”, reflete.  Thiago lançou mão do realismo fantástico, gênero literário que reúne grandes expoentes na América Latina, como uma forma de viver essa utopia. Dividida em 12 contos, a obra mistura elementos sobrenaturais e mágicos com situações do cotidiano, gerando certa estranheza e mistério. Ele cria esta leitura provocadora com o uso de figuras de estilo, de linguagem e da expressividade por meio da sonoridade poética. O título da coletânea é uma referência direta ao conto de Guimarães Rosa, “A Terceira Margem do Rio”, que também utiliza características do realismo mágico. Os contos são atravessados por questões filosóficas e metafísicas naturais aos seres humanos, como vida, morte, destino, arrependimento e desilusão. Os personagens não são nomeados, nem os locais onde se passam as histórias. Dessa forma, leitores podem explorar o imaginário para se identificar com as experiências fantásticas que ressoam às próprias lembranças. A publicação é da Artêra Editorial, pelo Selo da Editora Appris e tem 100 páginas.

 

A Vida de Cão do Requis 

“A Vida de Cão do Requis” parece a de muitos brasileiros: ele está em uma situação de semiabandono enquanto tenta formar laços, reinventar-se e entender os próprios conflitos internos em meio ao contexto de negligência na favela onde mora. Muito do que o personagem conhece é um mundo de medo constante, no qual nenhum animal sabe quando será levado pela carrocinha, atingido por uma bala perdida, ou deixado para trás pela família. Devido ao nome que lhe deram, somado às adversidades enfrentadas diariamente, o protagonista questiona se é cachorro, dinossauro ou pessoa. É por meio desta perspectiva que o psicanalista Marcelo Barbosa constrói uma série de contos neuróticos com o objetivo de levantar questionamentos sobre saúde mental, tratamentos, busca por identidade e impactos da realidade na psique humana. O autor une as experiências de consultório aos anos como morador de uma das maiores favelas da América Latina para traçar críticas à estrutura social brasileira que marginaliza milhões de cidadãos. “Fiz uma junção de traumas pessoais com traumas de pacientes que atendi para mostrar esse contexto periférico e as violências resultantes das desigualdades”, explica o escritor. A partir da ficção, o psicanalista produz uma obra sobre a subjetividade humana atravessada pelas complexidades das realidades do país. Diante de circunstâncias de violência, profundas desigualdades socioeconômicas e falta de atenção para a mente, o livro reflete sobre qual o espaço que resta para compreender as emoções, os sentimentos e os processos psicológicos internos. O livro tem 116 páginas.

 

Todas as Minhas Mortes

Com honestidade, crueza e toques sutis de humor, a artista Paula Klien adentra as profundezas da existência feminina no livro “Todas as Minhas Mortes”. Neste romance de autoficção, publicado pela Citadel Grupo Editorial, a autora dissolve a fronteira entre realidade e fantasia, ao entrelaçar vivências reais com as nuances da própria imaginação. É sob a voz narrativa ambivalente da protagonista Laví (abreviação de “La Vie” – ou “A Vida”, em Francês) que o leitor será conduzido a uma viagem pelas águas turvas da subjetividade humana. Ousada, determinada e questionadora, a personagem subverte as convenções sociais. As vivências íntimas e visceralmente humanas da personagem provocam sentimentos e reflexões sobre temas relacionados à sexualidade, amadurecimento e maternidade. Entre o prazer e a dor, a protagonista expõe com honestidade suas forças e fraquezas para mostrar todas as vezes que precisou morrer para renascer – como uma fênix – até, finalmente, realizar o sonho de carregar um filho nos braços.  Capítulo a capítulo, Paula Klien narra uma fase na vida de Laví e a cada ciclo, uma montanha-russa de emoções, pensamentos e sensações toma conta do leitor, que facilmente se identifica com o personagem. Hora em êxtase, hora em agonia, a narradora evidencia que, assim como ela, ninguém é bom ou mau o tempo todo. Ela traz as múltiplas camadas e nuances da existência humana, do primeiro grito ao último suspiro. Com uma escolha cuidadosa das palavras e evocando os espíritos de grandes pensadores como Nietzsche, Espinosa e Lacan, a escritora traz para a literatura, além de bagagem como artista multifacetada, elementos da psicanálise e da filosofia. O livro tem 176 páginas.

 

#umdiasemreclamar

Quantas vezes você reclamou de algo hoje? Esta é a pergunta chave da obra que está em 1º lugar na lista dos mais vendidos. Em “#umdiasemreclamar”, o autor best-seller Davi Lago e o professor Marcelo Galuppo propõem um desafio de 24 horas apenas com gratidão nas palavras, e a assertividade desta proposta fez do livro imprescindível nas prateleiras. Para começar, o leitor precisará registrar o horário em que iniciará o exercício. E não será preciso anotar quantas vezes o acordo é violado, porque a cada vez que a reclamação for feita, será necessário reiniciar a contagem do tempo. A principal função desta atividade é criar a consciência de que a ingratidão é o padrão natural do ser humano. Além desta prática, será possível encontrar na obra mais seis exercícios de gratidão, que mudarão para sempre a maneira como as pessoas encaram os problemas. Davi Lago é mestre em Teoria do Direito pela Faculdade Mineira de Direito da PUC Minas. Ao lado de William Douglas, é autor do best-seller “Formigas” e autor de “Brasil Polifônico”. Colunista da revista “Veja”, autor do TED Talking Poliphonic Brazil, Davi é um formador de opinião contemporâneo, que transita nas áreas de cultura, política, religião e ciências sociais, sendo uma das grandes vozes brasileiras sobre os temas. Já Marcelo Galuppo é brasileiro, professor e advogado brasileiro e também atual presidente da Associação Brasileira de Filosofia do Direito e Filosofia Social (ABRAFI) e vice-presidente da Internationale Vereinigung für Rechtsund Sozialphilosophie (Associação Internacional para a Filosofia do Direito e a Filosofia Social). Desde 1994, é professor da Faculdade Mineira de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, onde foi coordenador do programa de pós-graduação em Direito entre 2009 e 2011. Desde 2010, é também professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi “Visiting Fellow” da Escola de Direito da Universidade de Baltimore. O livro tem 160 páginas, e é da Editora Citadel.

 

 

 

 

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